Mostrando postagens com marcador Relatos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Relatos. Mostrar todas as postagens

Dora van Gelder(Um Deva dos Ciclones- O Mundo Real das Fadas)


Quando eu estava em Miami, na Flórida, dois ciclones rugiram sucessivamente por aquele Estado, durante os anos 20. Naquele momento, pedi ao anjo do mar que descrevesse o acontecimento. Ele o fez, comunicando-me um grande número de quadros mentais combinados com sensações. Há uma única dificuldade na comunicação com um anjo. O que ele considera uma idéia é para nós vinte, e assim levamos muito tempo para assimilar o que ele quer exprimir. Logo ficamos confusos, porque estamos atrasados em relação a ele ao aprender suas idéias. O espetáculo começava com a Baía de Biscaia (sua região), linda sob um céu ensolarado, em paz tropical. O anjo e suas fadas se desincumbiam de suas tarefas comuns diárias, serena e alegremente. Isso foi um ou dois dias antes da chegada do ciclone.
Devo explicar que existe uma hierarquia de anjos ou devas em geral e, neste caso, de anjos do mar. Os vizinhos próximos do anjo da Baía são seus iguais e colegas. Mas, acima de todos estes, e supervisionando uma vasta extensão do mar, há um Ser maior. Como já descrevi anteriormente, em cada território governado por anjos - como aquele que habita a Baía- há um Vórtice que é a sede principal da consciência do anjo. Este centro fica num local particular e pode ser considerado como o coração dessa área. Há Vórtices semelhantes no ar, não tão numerosos, que servem aos anjos do ar de igual maneira. É a descarga de energia entre um vórtice do ar e um vórtice do mar que resulta em várias espécies de tempestades. Portanto, há uma constante troca de energias entre os anjos do mar, os do ar e assim por diante. Na verdade, todo o equilíbrio das energias da natureza está na manutenção desse exército. Seus corpos são a sede e indicam o fluir e a descarga da energia. Um certo número de anjos exaltados- provavelmente pequeno- dirige o curso da natureza dessa maneira, por todo o mundo, mantendo a força da natureza em equilíbrio. Nosso amigo, o anjo da Baía de Biscaia, é assim uma unidade nessa vasta rede de seres superiores e inferiores... Por vezes, parece haver excessiva energia concentrada, digamos na zona tropical, e torna-se necessário libertá-la. Disso resulta um ciclone ou qualquer outra irrupção de energias na natureza. Entretanto, isso não ocorre cega ou ocasionalmente, mas segundo uma esplêndida ordem que descreverei a seguir, voltando ao caso particular do vento que assolou Miami.
Os grandes anjos que mantêm as energias da natureza em equilíbrio decidiram que deveria haver uma descarga de energia na região coberta pelo ciclone. Eles indicaram o ponto de partida e o território geral, e depois designaram um anjo para dirigir a tempestade, preparar seus detalhes e levá-la até o fim. O início foi determinado pelo fato de que num certo ponto havia algo fora de equilíbrio, que requeria imediata atenção. O próprio anjo do ciclone, escolhido para a tarefa, tem cerca de vinte pés de altura (cerca de 6,5 metros), e poderíamos pensar que ele está envolto em relâmpagos, vestido com elementos de eletricidade. Podemos imaginá-lo como a imagem de Zeus e seus trovões, descrito na mitologia grega. Ele tem um rosto vigoroso, com brilhantes olhos cinzentos e cabelo claro, visão magnífica, que confere uma sensação de temor na presença de tanto poder. esses anjos da tempestade são raros, pois não pertencem a nenhuma região em especial, mas viajam por toda a terra com as tempestades. São altamente desenvolvidos e têm perfeita clareza e firmeza de visão, de precisão matemática. O anjo da Baía de Biscaia também tem medo deles, o que deixou bem claro para mim. O anjo do ciclone começou por selecionar um par de anjos para ajudá-lo em sua tarefa; estes são meio parecidos com ele, mas menores e não têm o mesmo grau de desenvolvimento. Além destes, alguns outros anjos o acompanharam como colegas. A estes eu posso chamar de anjos da vida e da morte, pois seguiam com o anjo do ciclone a fim de supervisionar o aspecto humano da tempestade. Por assim dizer, os efeitos do furacão sobre a humanidade.
Como eu disse anteriormente, o anjo da Baía recebeu o aviso informal de que tal evento estava iminente e sua descrição de discussão entre os anjos à sua volta foi um tanto divertida. Ele me mostrou anjos falando ao mesmo tempo sobre o tufão que se formava e procurando imaginar de que maneira isso afetaria cada um deles. O anjo da Baía tem um profundo senso artístico e um certo humor parecido com o humor irlandês, e suas descrições dessas conferências de fofocas eram deliciosamente pitorescas e cheias de vida...
Na hora determinada, o anjo do furacão apareceu junto com sua companhia. Então enviou uma chamada, assemelhando-se muito ao chamado de trombeta para uma batalha. Ao ouvir esse som, uma espécie de choque percorreu a linha de anjos selecionados desde o ponto de partida do furacão, ao longo do caminho até o seu ponto terminal... E então, como imensa bola de chama cheia de uma tropa de anjos e fadas, tudo centralizado ao redor do anjo do furacão, o ciclone irrompeu na hora predeterminada...
Enquanto durou o furacão, as fadas do mar foram carregadas para a terra, tendo algumas penetrado várias milhas longe do litoral, fato incomum que elas, naturalmente, consideraram uma experiência nova. Após algumas horas, elas foram voltando, na medida em que a tempestade deixou Miami em seu ímpeto dirigindo-se para o interior e o mar começou a acalmar-se, voltando a seu estado normal. Durante alguns dias, as fadas se atarefaram reconstruindo suas linhas de comunicação e recuperando-se, mas muitas delas foram para o litoral a fim de auxiliar o anjo da terra a renovar o trabalho de desenvolvimento.
O furacão prosseguiu à sua maneira prevista e lentamente as esvaziou; enquanto diminuía, o anjo da tempestade o deixou com suas fadas da tempestade, até o momento futuro em que seus serviços serão novamente solicitados em algum lugar. Aos poucos, tudo voltou ao normal ao longo do percurso do furacão, apesar de, claro, serem necessários alguns anos para recuperar todos os estragos...”

Edward Bulwer Lytton(O Guardião do Umbral - Zanoni)


“Glyndon colocou a sua lâmpada ao lado do Livro, que ainda estava ali aberto; virou umas folhas e outras, porém sem poder decifrar o seu significado, até que chegou ao trecho seguinte:
‘Quando pois o discípulo está desta maneira iniciado e preparado, deve abrir a janela, acender as lâmpadas e umedecer as suas fontes com o Elixir. Mas que tenha cuidado de não se atrever a tomar muita coisa do volátil e fogoso espírito. Prová-lo, antes que, por meio de repetidas inalações, o corpo se haja acostumado gradualmente ao extático líquido, é buscar, não a vida, mas sim a morte.’
Glyndon não pôde penetrar mais adiante nas instruções; pois aqui as cifras novamente estavam mudadas. O jovem pôs-se a olhar fixa e seriamente em redor de si, dentro do quarto. Os raios da Lua entraram quietamente através das cortinas, quando sua mão abriu a janela, e assim que a sua misteriosa luz se fixou nas paredes e no solo da habitação, parecia como se tivesse entrado nela um poderoso e melancólico espírito. O jovem preparou as 9 lâmpadas místicas em torno do centro do quarto, e acendeu-as, uma por uma. De cada uma delas brotou uma chama de azul prateado, espalhando no aposento um resplendor tranqüilo, porém ao mesmo tempo deslumbrante. Essa luz foi-se tornando pouco a pouco mais suave e pálida, enquanto uma espécie de fina nuvem parda, semelhante a uma névoa, se esparzia gradualmente pelo quarto; e subitamente um frio agudo e penetrante invadiu o coração do inglês, e estendeu-se por todo o seu corpo, como o frio da morte.
O jovem, conhecendo instintivamente o perigo que corria, quis andar, porém achou grande dificuldade nisso, porque suas pernas se haviam tornado rígidas, como se fossem de pedra; contudo, pôde chegar à prateleira onde estavam os vasos de cristal; apressadamente inalou um pouco do maravilhoso espírito, e lavou as suas fontes com o cintilante líquido. Então, a mesma sensação de vigor, juventude, alegria e leveza aérea, que havia sentido pela manhã, substituiu instantaneamente o entorpecimento mortal que um momento antes lhe invadira o organismo, pondo em perigo a sua vida. Glyndon cruzou os braços e, impávido, esperou o que sucederia.
O vapor havia agora assumido quase a identidade e a aparente consistência duma nuvem de neve, por entre a qual as lâmpadas luziam como estrelas. O inglês via distintamente algumas sombras que, assemelhando-se, em seu exterior, às formas humanas, moviam-se devagar e com regulares evoluções através da nuvem. Estas sombras eram corpos transparentes, evidentemente sem sangue, e contraiam e dilatavam-se como as dobras duma serpente. Enquanto se moviam vagarosamente, o jovem ouvia um som débil e baixo, como se fosse o espectro duma voz - que cada uma daquelas formas apanhava de outras e a outras transmitia, como num eco; um som baixo, porém musical, e que se assemelhava ao canto duma inexprimível e tranqüila alegria. Nenhuma dessas aparições reparava nele. O veemente desejo que ele sentia, de aproximar-se delas, de ser um de seu número, de executar um daqueles movimentos de aérea felicidade - pois assim lhe parecia que havia de ser a sensação que os acompanhava - fez com que estendesse os seus braços, esforçando-se por chamar com uma exclamação, a atenção desses seres; porém somente um murmúrio inarticulado saiu dos seus lábios; e o movimento e a música seguiam, como se não houvesse ali nenhum ser mortal.
Aqueles seres etéreos, semelhantes a sombras, deslizavam tranqüilamente pelo quarto, girando e voando, até que, na mesma majestosa ordem, um atrás do outro, saiam pela janela e se perdiam na luz da lua; depois, enquanto os olhos de Glyndon os seguiam, a janela se obscureceu com algum objeto, ao princípio indistinguível, porém que, por um mistério, foi suficiente para mudar, por si só, em inefável horror o prazer que o jovem experimentara até então. Esse objeto foi tomando forma. Aos olhos do inglês parecia ser uma cabeça humana, coberta com um véu preto, através do qual luziam, com brilho demoníaco, dois olhos que gelavam o sangue em suas veias. Nada mais se distinguia no rosto da aparição, senão aqueles olhos insuportáveis; porém o terror que o jovem sentia, e que ao princípio parecia irresistível, aumentou mil vezes ainda, quando, depois duma pausa, o fantasma entrou, devagar, no interior do quarto. A nuvem se retirava da aparição, à medida que esta se aproximava; as claras lâmpadas empalideciam e tremeluziam inquietamente, como tocadas pelo sopro do fantasma. O corpo deste ocultava-se debaixo dum véu, como o rosto; mas por sua forma adivinhava-se que era uma mulher; não se movia como o fazem as aparições que imitam os vivos, mas parecia antes arrastar-se como um enorme réptil; e, parando um pouco, curvou-se por fim ao lado da mesa, sobre a qual estava o místico volume, e fixou novamente os seus olhos, através do tênue véu, sobre o temerário invocador. O pincel mais fantástico e mais grotesco dos monges-pintores medievais, ao retratar o demônio infernal, não teria sido capaz de dar-lhe o aspecto de malignidade tão horrível, como se via nesses olhos aterrorizantes. O corpo do fantasma era tão preto, impenetrável e indistinguível, que lembrava uma monstruosa larva. Porém, aquele olhar ardente, tão intenso, tão lívido, e não obstante tão vivo, tinha em si algo que era quase humano em sua máxima expressão de ódio e escárnio... Por fim, este falou, com uma voz que antes falava à alma do que ao ouvido:
- Entraste na região imensurável. Eu sou o Espectro do Umbral. Que queres de mim? Não respondes? Temes-me? Não sou eu a tua amada? Acaso, não tens sacrificado por mim os prazeres da tua raça? Queres ser sábio? Eu possuo a sabedoria dos séculos inumeráveis. Vem, beija-me, oh meu querido, querido mortal! ...
E enquanto o horroroso fantasma dizia estas palavras, arrastava-se mais e mais para perto de Glyndon, até que veio a pôr-se a seu lado, e o jovem sentiu em sua face o alento do espectro. Soltando um agudo grito, caiu desmaiado ao chão, e nada mais se soube o que ali se passou...”

SAW(Elementais das Aves- O Mistério do Áureo Florescer)


“Repassando velhas cenas de minha longa existência, com a tenacidade de um clérigo na cela, surge Eliphas Levi. Numa noite qualquer, fora da forma densa, invoquei a alma daquele que em vida se chamava Abade Alphonse Louis Constance (Eliphas Levi). Encontrei-o sentado ante um antigo escritório, no salão augusto de um velho palácio. Levantou-se de sua poltrona, com muita cortesia, a fim de atender às minhas saudações.
Venho pedir-vos um grande serviço- disse. Quero que me deis uma chave para sair instantaneamente em corpo astral, cada vez que seja necessário.
Com prazer, respondeu o abade. Porém, antes, quero que amanhã mesmo traga-me a seguinte lição: - O que é que existe de mais monstruoso sobre a terra?
Dai-me a fórmula agora mesmo, por favor.
Não. Traga-me primeiro a lição. Depois, com muita satisfação, dar-lhe-ei a chave.
O problema que o abade me havia proposto transformou-se num verdadeiro quebra-cabeça, pois são tantas as coisas monstruosas que existem no mundo que, francamente, não encontrava a solução.
Andei por todas as ruas da cidade observando, tentando descobrir o que poderia ser mais monstruoso. Porém, quando acreditava tê-lo encontrado, surgia algo pior. De repente, surgia algo pior. De repente, um raio de luz iluminou o meu entendimento e disse a mim mesmo: agora já posso compreender. a coisa mais monstruosa tem de estar de acordo com a Lei das analogias dos contrários., isto é: a antípoda do mais grandioso. então, qual é a coisa mais grandiosa que existe sobre a dolorosa face deste aflito mundo? Veio então a mim, translúcida, a montanha das caveiras, o Gólgota das Amarguras e o grande Kabir Jesus, agonizando numa cruz, por Amor a toda a humanidade doente. Exclamei então: O Amor é o mais grandioso que existe sobre a terra. Eureka! Descobri o segredo: o Ódio é a antítese do mais grandioso. Estava patente a solução do complexo problema e eu devia por-me novamente em contato com Eliphas Levi. Projetar novamente o Eidolon (corpo astral) foi para mim uma questão de rotina, pois nasci com essa preciosa faculdade.
Se buscava uma chave especial, fazia-o não tanto por minha insignificante pessoa que nada vale, mas por muitas outras pessoas que anseiam pelo desdobramento consciente e positivo.
Viajando com o eidolon ou duplo mágico, muito longe do corpo físico, andei por diversos países europeus, buscando o abade, porém não o encontrava em lugar algum. Repentinamente senti uma chamada telepática e penetrei numa luxuosa mansão. Ali estava o abade. Entretanto, que surpresa! Que maravilha! Eliphas Levi transformado em criança e no interior de seu berço. Um caso verdadeiramente insólito, não é verdade? Com profunda veneração e muito respeito, aproximei-me do bebê, dizendo:
- Mestre, trago a lição. O que existe de mais monstruoso sobre a terra é o Ódio. Quero agora que cumpras o que me prometeste. Dê-me a chave.
Contudo, para meu assombro, aquele menininho calava-se, enquanto eu me desesperava, sem compreender que o silêncio é a eloqüência da Sabedoria.
De vez em quando tomava-o em meus braços, desesperado, e suplicava-lhe, porém tudo em vão. Aquela criatura parecia uma esfinge do silêncio. Quanto tempo isto durou não sei, porque na eternidade inexiste o tempo. O passado e o futuro irmanam-se dentro de um eterno agora. Finalmente, sentindo-me defraudado, deixei aquela criancinha em seu berço e saí muito triste daquela antiga e nobre casa.
Passaram-se dias, meses, anos, e eu continuava sentindo-me defraudado. Achava que o abade não havia cumprido sua palavra empenhada com tanta solenidade. Um dia, veio a mim a luz. Recordei aquela frase do Kabir Jesus: ‘Deixai vir a mim as Criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus’.
Disse a mim mesmo: agora, sim, entendi. É urgente, é indispensável, reconquistar a infância na mente e no coração. ‘Enquanto não formos como criancinhas não poderemos entrar no reino dos céus’. Esse retorno, esse regresso ao ponto de partida original, não será possível sem antes morrermos em nós mesmos. A Essência, a Consciência, lamentavelmente está engarrafada dentro de todos esses agregados psíquicos, que em seu conjunto tenebroso constituem o Ego. Só aniquilando tais agregados sinistros e sombrios, pode a Essência despertar no estado de inocência primordial.
Quando todos os elementos subconscientes forem reduzidos a poeira cósmica, a essência será libertada e reconquistaremos a infância perdida.
Disse Novalis: ‘A consciência é a própria essência do homem em completa transformação; o Ser primitivo celeste’.
Evidentemente, quando a Consciência desperta, o problema do desdobramento voluntário deixa de existir.
Após ter compreendido a fundo esses processos da psiquê humana, o abade fez-me a entrega, nos mundos superiores, da segunda parte da Chave Régia. Compunha-se esta de uma série de sons mântricos, com os quais uma pessoa pode realizar conscientemente a projeção do Eidolon.
Para o bem de nossos estudantes gnósticos convém que estabeleçamos de forma didática, a sucessão inteligente destes mágicos sons:
a) Um silvo(assobio) longo e delicado, semelhante ao de uma ave;
b) Entoação da vogal E, assim: Eeeeeeeeee..., alongando o som com a nota RÉ, da escala musical;
c) Entoar a consoante R, assim: Rrrrrrrrrrrr..., fazendo-a ressoar com o SI da escala musical, imitando a voz aguda de uma criança. Algo assim como o som agudo de um pequeno moinho ou motor, demasiado fino e sutil.
d) Fazer ressoar o S de forma muito delicada, como um doce e silencioso silvo, assim: Sssssssssss...
Esclarecimento: O item A consiste num silvo real e efetivo. O item D é apenas semelhante a um silvo.
ASANA(ou postura) - O estudante gnóstico deve se deitar na posição do homem morto, isto é: em decúbito dorsal( de boca para cima). As pontas dos pés devem estar abertas em forma de leque e os calcanhares tocando-se. Os braços devem estar estendidos ao longo do corpo. Todo o veículo físico deve estar bem relaxado.
Mergulhado em profunda meditação, o devoto deverá cantar muitas vezes os sons mágicos.
Elementais - Estes mantras encontram-se intimamente relacionados com o Reino Elemental das Aves. É ostensível que elas assistem ao devoto, ajudando-lhe eficazmente no trabalho do desdobramento. Cada ave é o corpo físico de um elemental e estes sempre ajudam ao neófito, sob a condição de uma conduta reta.
Se o aspirante espera ser ajudado pelo Reino Elemental das Aves, deve aprender a amá-las. Aqueles que cometem o crime de encerrar as criaturas do céu em abomináveis jaulas, jamais receberão essa ajuda.
Alimentai as aves do céu, transformai-vos em libertadores dessas criaturas. Abri as portas de suas prisões e sereis assistidos por elas.
Quando eu experimentei pela primeira vez a Chave Régia, depois de entoar os mantras, senti-me vaporoso e leve como se algo tivesse penetrado dentro do Eidolon. É claro que não aguardei que me levantassem da cama, pois eu mesmo abandonei o leito voluntariamente. Caminhei com desembaraço e saí de casa. Os inocentes elementais das aves amigas metidos dentro do meu corpo astral ajudaram-me no desdobramento...”

Helena Blavatsky (por H.S.Olcott. Experiências com um Gnomo)


“Um dia, achando que os guardanapos brilhavam em sua casa sobretudo pela ausência, comprei alguns e levei-os num embrulho até sua casa. Nós os cortamos, e ela(Helena) já queria pô-los em uso sem debruá-los, mas, diante de meus protestos, pegou alegremente uma agulha. Mal havia começado, bateu irritadamente com o pé sob a mesinha de costura, dizendo:”Saia daí, seu palerma!” O que está havendo?, perguntei. “Oh, nada, é apenas um bichinho elemental que está me puxando pelo vestido, a fim de que eu lhe dê algo para fazer.” Mas que sorte, eu lhe disse, então estamos bem arranjados; peça-lhe que faça a bainha dos guardanapos. Para quê se amolar, se você não tem mesmo jeito para isso? Ela riu e me censurou, para me punir por minha desonestidade, mas ela não quis lhe dar esse prazer ao pobre e pequenino escravo sob a mesa, que só queria mostrar sua boa vontade. Mas acabei convencendo-a. Ela me disse para recolher os guardanapos, as agulhas e a linha a um armário envidraçado que tinha cortinas verdes e se achava do outro lado do quarto. Voltei-me a sentar perto dela, e a conversa retomou o tema único e inesgotável que enchia os nossos pensamentos - a ciência oculta. Quinze ou vinte minutos depois, ouvi um ruído parecido com gritinhos de camundongos debaixo da mesa, e HPB me disse que ‘essa coisinha horrorosa’ terminara o seu serviço. Abri a porta do armário e encontrei a dúzia de guardanapos debruada, e tão mal, que uma simples aprendiz de costureira não teria feito pior. Mas as bainhas estavam realmente feitas, e isso se passara no interior de um armário fechado a chave, do qual HPB não se aproximara um só instante. Eram quatro horas da tarde, e o dia ainda estava claro. Estávamos sozinhos no quarto, e ninguém entrou ali enquanto tudo aquilo se passava.”

Oráculos Gratuitos